Aih tanto...
Estive por aqui dia 3 de Dezembro, e desde aí acho que até se passou alguma coisa. Vim aqui da última vez porque tinha muito que estudar/trabalhar e andava a engonhar. (Estas palavras "mneditenses" como engonhar e astrever são lindas, principalmente astrever, que foi a palavra que não usei. E pronto lá estou eu a engonhar.) Resultado da minha preguiça, uma semana sem fazer algo que não exercícios ou trabalhos. (Sim, em Erasmus por vezes é preciso trabalhar.)
Apercebi-me agora que, em polaco, o l com o traço (ł) se lê como quem não consegue dizer l.
Depois de uma semana em que viajei de casa para o c4 ou para o d2, do d2 para o b5, deste para o p14, deste para casa e de vez em quando passar no h4 para aprender polaco ou no c13 para comer... Já agora estas coisas são edifícios da minha universidade a Politechnika Wroclawska (com o l em Wroclaw traçado) Bem depois desta semana resolvi viajar um bocadinho mais. Uma vez que o Costa estava no seu último fim de semana em Bratislava, porque não ir até lá? E como Ostrava [onde estão o David, o Marcelo, o Fueca, o Pedro Trindade (gente que conheço de Aveiro) e mais uma cambada de tugas arruaceiros que por lá pára]. Siga para Ostrava.
Então lá fui eu e o Luís (meu colega de casa. Opah vocês têm que começar a ler os posts todos senão tenho que estar sempre a repetir tudo e é uma seca. Ou então isto foi só mais um pretexto para por, entre parêntesis, algo completamente desinteressante no meio do texto e vos tentar demover de ler o resto. E lá está se lessem os posts todos já sabiam isto e eu não precisava de estar a explicar porque digo tanta parvoíce desta).
Então às 6h08 lá apanhámos o comboio que nos levaria a Katowice, onde esperámos meia hora... Hummm espera lá Válter já estás a começar a perder pormenores... Esperámos meia hora pelo comboio que vinha de Varsóvia (Warsawa) e mais 40min dentro dele parados... Depois disto lá arrancámos para a Checa, onde o comboio anda ao dobro da velocidade, os carris são bastante mais direitos, portanto há menos solavancos, e as senhoras do altifalante arranham inglês. Deste arranhado Inglês consegui perceber que o comboio seguia atrasado devido a problemas na Polónia. Acho que os checos gostam bastante dos polacos porque o tom com que isto foi dito foi bastante amigável. Claro que não avisei o Marcelo e deixei-o à espera no frio de Ostrava.
Pois Ostrava. Primeiro é bastante ventoso, ou estava, o que, adjudicado a temperaturas abaixo de zero e a neve, pode ser bastante desconfortável. Seguimos então para as residências onde eles estão acomodados. Sim disse acomodados, porque são bem melhores que as daqui. Têm uma casa de banho e uma cozinha para cada 4 (a minha cozinha na residência era para 60 pessoas e só tinha mais um fogão). A primeira coisa gira de Ostrava são os eléctricos, muito mas muito confortáveis, (o David adormece sempre nas viagens até ao centro da cidade), porém o que achei mais piada foram as senhoras do altifalante a cantar em checo "próxima paragem Listopadu". Depois sobre Ostrava demorámos duas horas a visitar o centro, isto porque Ostrava é bastante industrial e nada turístico. À noite festa portuguesa de natal. Pois os Erasmus portugueses de Ostrava (quantas vezes é que eu já disse Ostrava?) não funcionam como os daqui, andam aos bandos e parecem espanhóis. Isto porque os espanhóis andam aos bandos em todo a parte e estão sempre de lado em relação aos outros países, para não salientar que têm, na maioria, um inglês execrável, falando de Erasmus claro.
No dia seguinte, Ostrava vista, festa feita (bela festa), siga lá para Bratislava. Na estação de Svinov em Ostrava comprámos o bilhete para Bratislava, que dizia Ostrava-Bratislava, apanhámos o comboio certo para Bratislava (40min atrasado devido a uma ligação na Polónia) e lá fomos muito contentes com o Costa a tentar arranjar-nos guarida e com pouco tempo disponível que tinha, passados a fronteira vem um senhor pica Austríaco (what? mas não íamos para a Eslováquia?) pois esse senhor pica disse "Estão no comboio errado, deviam ter trocado em Breclav", ao que eu respondi o que todos responderíamos "ainda bem que avisam agora". Vá claro que não disse isto, disse "então e agora o que temos que fazer". Nisto o pica revelando toda a sua simpatia disse "é problema vosso" (ainda bem). O Luís menos chocado e mais calmo que eu lá perguntou qual era a próxima paragem "Viena"...
Felizmente não tenho só amigos em Ostrava e em Bratislava. Lá falei com o Fartaria e com o Serra que nos acolheram nos apartamentos de luxo que são as residências deles.

Aih Viena. Viena é... Eu fiquei mesmo apaixonado pela cidade, enquanto lá estive (e foi só um dia e umas horas) não sei quantas vezes me passou pela cabeça um dia viver lá. É cosmopolita, acolhedora, deslumbrante, bela, musical. Como eu descrevi numa conversa com a Bia Lacerda "em Viena respira-se música clássica em cada edifício". As pessoas são sorridentes, até as que vão no metro. Vá no metro há sempre algumas pessoas que estão a viajar naquele mundo chamado imaginação, mas as outras estão sorridentes e não se notam caras aborrecidas. E a arquitectura wow. Viena pareceu-me uma competição de arquitectos com fundos ilimitados. A cada esquina um novo belo e imponente edifício. Pois acho que esses arquitectos também não estavam propriamente preocupados em guardar espaço. Edifícios como o Parlamento, a

biblioteca, rathaus, sei lá... Depois por todo o lado se fala inglês o que dá jeito e mesmo o alemão não soa tão estranho como este pchejechejetch polaco. (Isto de falar de Viena não dá tanto jeito para debitar porcaria pelo meio, porque a cidade não merece). No pouquíssimo tempo que estivemos em Viena resolvemos ir até Schönbrunn, um palácio um bocadinho grande (infelizmente não houve tempo para os seus jardins), lá chegados aparece-nos à frente um magnífico coro a cantar músicas de Natal como "Santa Claus is coming to town" e músicas Gospel como "Happy Day" entre outras bem conhecidas, uma cereja no topo de um delicioso bolo.
Infelizmente tivemos que voltar a Wroclaw, chegámos a casa e três novas pessoas no meio da sala: a Vanessa, o João e o Camelo. Três Erasmus de Roma amigos da Tânia que vieram conhecer Wroclaw. Como eles já cá estavam há um dia já conheciam a principal zona turística, então fui com eles conhecer também eu conhecer um bocadinho mais do centro. E é sempre bonito conhecermos locais novos nesta Wroclaw, passar em sítios desconhecidos, descobrir que na sinagoga há um mini museu histórico. Enfim...
No segundo dia passado com eles alguém se lembrou que podíamos ir patinar no gelo. O ringue aqui pertinho de casa estava fechado. Então, telefonar à Anna, "onde é que se patina?", apanhar um autocarro, passar meia hora lá dentro, chegar à rua Spiska, entrar. Lá dentro lá fui ver as minhas habilidades como estreante na patinagem (sim, não sabia patinar de forma alguma). Pelos vistos até e safo bem em meia hora (mais uns minutos) caí duas vezes, e consegui dar uma volta quase quase completa sem me agarrar ao corrimão, pois foi assim que se deu a segunda queda. É hilariante patinar no gelo quando não se sabe! Na próxima segunda feira vou patinar de novo. E estou convencido que quando souber patinar já não vai ter piada e nunca mais ponho os patins nos pés.
Vindo do ringue tinha em casa, para além da Monika, um português, três alemães e um turco (o João, as Alex, o Michael e o Güvenç. O Güvenç é o turco) que estavam a fazer qualquer coisa alemã estranha para jantar e a proceder à troca de fotos. (Sim, já tenho fotos para mostrar.)
Depois da troca de fotos (dia bem giro este) festa portuguesa na minha antiga residência organizada pelas aveirenses Ana Machado e Inês Morais (vá elas de aveirenses têm tanto como eu, vá a Inês acho que é do distrito). Quim Barreiros com força, mas o momento da noite foi uma emblemática música de seu nome "zumba na caneca". (Faltou o "malhão malhão", que falha.)
E a poucos dias de voltar a Portugal viajo entre festas de aniversário polacas. Ontem da Agata e hoje da Ania. Mas antes do aniversário da Ania, a "Vigilia", que é o nome polaco para Consoada e diga-se que vou comer até rebentar porque o objectivo é provar os pratos natalícios dos polacos. A melhor parte é que os polacos tem por tradição apresentar 12 pratos diferentes. Por isso hoje o meu jantar vai ser giro.
Pois isto já está sem muitos Erasmus. Até mesmo cá em casa já não está a Monika. E pronto lá vamos estando com polacos. Por falar nisso aprendi a palavra mais difícil de sempre de pronunciar em polaco e já consigo dizer bem (eheh) szczęście, que significa felicidade e lê-se qualquer coisa como chetcheunchgetxia (extremamente rápido). E como não devo vir aqui antes do Natal, a menos que algo extremamente alucinante aconteça, "zycze ci szczescia" (quanto a zycze, o primeiro z tem um pontinho em cima e o e tem cedilha) e ler isto é getxé(u) txi chetcheunchgetxia. Enfim o polaco é tão lindo e fácil.

E por fim aqui deixo algumas das pessoas que têm passado comigo estes meses. O João, o Luís, O rickard, o Güvenç, o namorado da Alex que não me lembro o nome (estava cá naquele fim de semana, a Fabrízia, A Merve, a Tugba, a Monika, a Tânia, o walter water válhter balter ou o que quer que seja que eles pronunciam como o meu nome, a Alex, o Luca, o Michael e a Alex.