
Demorei algum tempo a escrever novamente para ver se acumulava porcaria suficiente para debitar aqui. E estou a escrever apenas porque está demasiado frio para sair. E um chá que estou a fazer vai saber-me bem.
Já vos disse como as coisas aqui acontecem a um ritmo alucinante? Pois realmente parece que estou aqui há já mais de um ano, mas ainda só foram dois meses e só passaram duas semanas desde o última publicação...
No fim de semana passado, para quem não sabe foi o meu aniversário, e como gosto de festa resolvi juntar bastante gente (para ver se recebia muitos presentes). Consegui (ambas as coisas). Primeiro agradeço a visita dos meus bons amigos Marcelo Penas, David Graça (meus ex companheiros de casa) e do Pedro Trindade e também do seu e agora meu amigo Adão Mendes. Eles vieram de Ostrava nos maravilhosos comboios da Polónia. E no caminho apaixonaram-se por uma polaca, ou pelo menos duas.
Durante a estadia destes animais de que estou a falar, abriu um mercado de Natal na Rynek (têm a foto desta praça noutro post), que é no mínimo giro. Tem histórias de encantar para
as crianças, renas, árvores de Natal, castanhas quentinhas (a minha parte favorita do mercado), vinho quente, queijos, presuntos, chouriços (espero que já estejam fartos desta enumeração), salsichas, bacon, afinal não tem presunto era só para vos enganar, tem botas, gorros, t-shirts com frases engraçadas (em polaco), mini carrosséis e frio. Pois esta última coisa é algo que abona por estas bandas. Enquanto estávamos a visitar a cidade, encontrámos na rua a Vanessa Madureira e a Andreia Milheiro, duas portuguesas (acho que pelos nomes se apercebiam disso, mas como não posso esperar inteligência da parte de toda a gente que lê isto, até porque estão a ler isto) que começaram a falar connosco só porque não é assim tão natural ouvir falar português nas ruas de Wrocław, acontece que elas estão de Erasmus em Poznan (que tem acento agudo no último n) e estavam a visitar a cidade sozinhas. Ainda as convidámos para se juntarem à nossa jornada no centro da cidade, mas, e mesmo sendo 4 da tarde, elas preferiram is almoçar, contudo convidei-as para a minha festa de aniversário... et voilá: mais duas pessoas na minha festa. E isto sim é Erasmus: simplesmente estar predisposto a ser amigo de quem te aparecer à frente, acho que eu devia ser assim mais vezes e não só aqui. Mas também acho que já era assim... Hummm! Whatever.
Chegádos à festa estiveram presentes mais de 40 pessoas entre Portugueses, Polacos, Turcos, Italianos, Espanhóis, Alemãs (devia ser alemães mas o Michael foi comprar ingrdientes para o jantar alemão à terrinha. E sim foi só por isso que ele foi à Alemanha.), Romenos (vá era
a Monika) E acho que é tudo. A festa foi na minha antiga residência por isso devo agradecer ao Jorge, ao Juan e ao Nacho por terem cedido o quarto para servir de bengaleiro e ao Christian por ter emprestado as colunas. Por falar em música tenho que mencionar o nome de uma moça polaca que já é uma grande amiga Anna Hnatiuk (apelido mais estranho de sempre parece turco misturado com húngaro) que para além de ter escolhido a playlist de músicas da festa também escolheu com a Monika (para quem não sabe é a minha colega de casa meio romena meio húngara) alguns dos meus presentes: Um livro de poesia polaca traduzido para inglês, um gorro (que é o meu melhor amigo aqui), um álbum de jazz polaco (que estou a ouvir agora) e um cartão assinado por toda a gente da festa, inclusive a senhora da recepção; também recebi aparte um outro álbum de jazz polaco, um bilhete de lotto (sem prémio, que me ofereceu a minha p
rofessora de Polaco), uma caixa de chocolates (daqueles que tenho que comer um por dia até ao Natal) e duas bebidas estranhas cujos nomes são "miodne" e "walonskie" (ou qualquer coisa do género) estas hei de as levar para Portugal. Por falar em Portugal tenho que agradecer à Marta Oliveira o belo presente que ela enviou, estava mesmo a precisar de ler em português. (só para que conste o presente é um livro)
Agora que já passou a minha fase de puto de 6 anos a mostrar as prendas de anos vou falar do puto de 7 anos que quase nunca vê neve. Pois entretanto tem nevado que se farta. Na quarta feira dia 25 começou a cair algo que era meio neve meio chuva, ou então nevava cinco minutos e chovia outros 5 sempre à vez. No sábado passado já começou a nevar mais decentemente e já dava para mandar bolas de neve à cara dos outros. Mas como disse a Sara Czervinska (com acento no n) "não dá para construir bonecos de neve ainda não conta". Eis que na segunda feira passada acordei numa cidade diferente. Conhecem aquela história: Uma vez um menino branco acordou numa cidade branca, com estradas brancas, com carros brancos, etc.. Pois isto é mesmo tudo branco. Mas o mais hila
riante é que na segunda eu não reconhecia as paragens de autocarro/eléctrico, mesmo aquelas em paro 4 vezes por dia (como a minha paragem de casa). é como se voltasse para a primeira semana: contar o número de paragens para não sair no sítio errado, olhar fora do autocarro/eléctrico para confirmar o nome da paragem... Depois o normal já construí bonecos de neve, já mandei bolas de neve à cara de amigos e eles fizeram-me o mesmo (já agora obrigado ao João Santos por me ter atirado um calhau de gelo à barriga a pensar que era neve) . E falando em neve também vou falar um bocadinho destes últimos dias: na quarta feira nevou tanto que a rua onde moro estava de tal maneira que não se distinguia a estrada do passeio nem pela altura de neve caminhar 20 meros metros era um desafio enorme. Mas o mais giro foi as temperaturas que estiveram por cá, ontem chegou aos -22ºC (Claro que tive que sair à rua para ver como era). Para quem nunca experimentou disso, quando o fizer faça como eu: meia-calça; camisolas e casacos até mais não, gorro(s), cachecol, luvas (pode ser mais que um par) botas e calças grossas. E uma coisa gira é inspirar pela boca este ar assim frio, parece que se está a trincar calippo. Outras partes agradáveis de viver nesta cidade branca é ter que limpar a neve do pa
sseio e do jardim... e o melhor de tudo são os 5 minutos de preparação (vestir casacos, gorros, luvas, etc) cada vez que se sai à rua.
Se bem me lembro a última vez que estive para aqui a debitar palavras aconteceu um jantar italiano, que já vinha na sequência de um português. Devo dizer que me apaixonei pelas brusquetas. (o resto tinha queijo e embora comestível...) Uma semana depois do italiano foi a vez do jantar turco e... Tão bom! Primeiro uma sopa que era estranha e extraordinariamente deliciosa. Depois qualquer coisa como sigureburek que é de chorar por mais efectivamente. E por fim algo com frango no forno e um arroz delicioso... fiquei rendido.
Depois destas iguarias turcas seria difícil bater (só se fosse o português de novo) veio o alemão que também era delicioso: aquela sopa que sabia a pizza de cebola estava tão boa que todos repetiram, claro que depois veio algo que parecia salsicha trazido pelo Michael da Alemanha (isto já não era tão bom), mas no fim aquela sobremesa que parecia panquecas com açúcar e compota de maçã... uih!
E na próxima quarta vem o jantar húngaro...
Por falar em Hungria (adoro fazer isto) hoje fui à ópera. Era em alemão por isso não perce

bi a história, mas para 1zl (menos de 30 cêntimos) foi um concerto fantástico. Adorei. e depois valeu a pena nem que fosse para conhecer o edifício. Já todos pagámos mais para ver edifícios bem mais feios e menos simbólicos.
Daqui é mais um bocadinho e para que fiquem a saber estão -14ºC lá fora.
E uma foto típica para mostrar aos amigos (rapazes).
PS: o título desta mensagem deve-se ao fim de semana passado e ao amor que os meus visitantes tiveram pelas polacas de cá.... aaaa pela cidade. E palavras do Marcelo: "estás na melhor cidade para se fazer erasmus"
Válter, as tuas crónicas são nada menos que geniais, adoro! Diverte-te bastante pá, e tira mais fotos dessas que são sempre bem-vindas heheh.
ResponderEliminarUm abraço!