segunda-feira, 25 de abril de 2011


Primavera a sério. WOW! Sim mesmo na Polónia as temperaturas passam os 20ºC de vez em quando e então já senti um pouco algo normal.
Um dia destes uma amiga minha lembrou-se de ir às compras ao "triângulo das bermudas". Não, não estou a disparatar frases sem sentido. Um bairro de Wroclaw é assim apelidado por ter a forma de um triângulo, pela "estranheza" dos seus habitantes e pela forma suspeitosa como desaparecem coisas naquele bairro. Bom lá fui eu com a Melania, a Monika, a Angels e a Cansu. (Sim fui o suficientemente louco para ir ás compras com 4 raparigas, de 4 a 6 nacionalidades diferentes: A Melania é canadiano-polaca, a Monica hungaro-romena, a Angels espanhola e a Cansu é turca)
E então que raio há no triângulo das bermudas? Ainda bem que surge esta pergunta pois era a isto que ia responder. (Pronto lá está o gajo... meia hora para desengatar algo que depois se revelará uma bestialidade de informação inútil.) Bom lá fomos ao triangulo das bermudas e começámos a visitar lojinhas pequeninas de roupa em segunda mão. Preços sempre abaixo dos 10 pln 10 Zlotis polacos = 2,54324087 Euros o que me parece bem. Vá não eram sempre abaixo disso mas muita coisa. Depois de umas quantas lojas com preços "bonitos" lá a coisa começou a ficar aborrecida em termos de compras, mas mais interessante para ser contada. À entrada de uma loja a Melania disse que fora nessa loja que encontrara uma cela de cavalo à venda. Entrei e eu que já estava aborrecido sente-me num velho cadeirão branco colocado junto a um aquário com algumas diferentes espécies de peixes (5 acho eu), enquanto isto elas iam visitando a loja. depois de algum tempo decidi eu também visitar a dita cuja. ("A dita cuja" quem me disser que ouviu esta expressão à menos de um ano ganha um amendoím) Então encontrei um par de sapatilhas do meu número com aspecto de novas a 10,5pln (boa)e dirigi-me à caixa para as comprar foi então que me deparei com a parte interessante da loja: Uma mesinha com um toalhão de renda ostentava varias cintas uns aparelhos que se colocam nas pernas para que os joelhos não dobrem e assim ajudem pessoas com certos problemas a andar, entre outras coisas macabras que não me recordo. (eu também quando me magoo e preciso de umas canadianas vou até a uma loja de roupa de segunda mão à procura...) E, por fim, fomos a uma loja estupenda: roupa ao quilo. Sim era mesmo a peso. Apetece-me dizer:
-Olhe dê-me aí um quilo de calças, dois quilos de camisolas, meio quilo de t-shirts e trezentos gramas de cuecas.
-Mas prefere estas quecas mais verdes ou mais amarelinhas?
-Sim das mais amarelhinhas está bem.
Bom depois a visita da Viviana e do Rui (Pufta), que para quem não sabe são a minha irmã e o meu cunhado. Chegaram e o turismo apoderou-se da minha vida. Ainda que no primeiro dia só tenha dado tempo para ver a praça central, no dia seguinte de manhã, acordar cedo e apanhar um comboio com destino a Cracóvia (Eu, a Melania, o André, a Cansu, a Viviana e o Rui.) Primeiro dia: sightseeing zona histórica+Castelo
Segundo dia: sightseeing bairro judeu + igrejas + castelo + visita à fábrica/museu de Schindler (quanto a mim o ponto mais interessante de Cracóvia)
Treceiro dia: viagem até Oświęcim, visita a Auschwitz.

Sobre Cracóvia fica-me a mesma ideia de Praga embora com menos excesso, a cidade é lindíssima mas o amontoado de turismo retira-lhe encanto. (E a Rynek de Wroclaw continua a ser a mais bonita da Polónia quanto a mim)

Sobre a fábrica de Schindler e Auschwitz digo que não é tão fácil falar sobre o que vi lá como possa parecer. Por muito que leia números quando vi as dimensões dos campos, fotos, li e ouvi relatos... foi desumano o que aconteceu ainda à menos de 70 anos. Quando se pensa nas pessoas que sofreram dá-nos pena e, ainda que incomparavelmente, sofremos também. E quando se pensa nos do outro lado. Quantos "soldados" estavam envolvidos e empenhados em guardar pessoas pior do que se acomodam animais, porque nem sequer as engordavam para comer. As pessoas tinham fome, tinham frio. Subsistiam a Invernos com temperaturas a chegar aos -30ºC com um pijama às riscas, quase sem comida e com trabalhos árduos. No museu da fábrica de Schindler há uma fotografia com cerca de dez corpos pendurados pelo pescoço acabados de ser enforcados e três soldados a sorrir para a camara.

E agora não me apetece escrever mais.

(Para quem não se apercebeu há um erro nesta mensagem um tanto ou quanto engraçado e despropositado.)
("um tanto ou quanto" - Ainda gostava de saber de onde vem isto.)

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